Estudo V. |
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Agregando Valores.
“Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:13-15)
Quando Jesus conclui as suas poesias sobre as Bem-aventuranças, usa duas figuras (sal e luz), para melhor comunicar o sentido do seu ensinamento. Mas, o sal e a luz são duas figuras com muitas diversificações. E, talvez, por conta disso, possamos tirar lições espirituais, as mais variadas e úteis sobre a figura do sal e a figura da luz. E mesmo que, por analogia, tragam muitos ensinamentos, não significa dizer que as lições que tiramos das figuras sejam as mesmas lições intencionadas por Jesus. O sal, por exemplo, tem sido utilizado por muito tempo como elemento químico de preservação de carnes e peixes. Somos de uma região, aonde por muito tempo, uma das economias básicas era a charqueada, uma espécie de indústria de carne, conservada à base de sal e depois exportada para a Europa. Dada a nossa experiência com o sal falamos então que, da mesma forma como o sal preserva a carne, o discípulo conserva mais pura uma sociedade. Podemos também afirmar que do modo como o sal tempera e dar sabor a comida, o discípulo concede tempero e significado de vida a um ambiente. Ainda podemos dizer que da mesma maneira como o sal age temperando a comida e ninguém ver o sal, assim também é a atuação do discípulo - age de maneira discreta sem necessidade aparecer, ou fazer publicidade por sua atuação. Tudo isto é aplicável e bonito, mas podemos cair no equívoco hermenêutico de interpretar o texto à partir da figura utilizada e não a partir da intenção do uso da figura. Ou seja, Jesus tinha uma idéia e para ilustrá-la usou uma figura. A idéia original tem mais importância do que a figura. Logo, identificar a idéia é central na interpretação do texto.
Para você entender o que estamos dizendo, vamos continuar o mesmo exercício hermenêutico. Só que agora usando negativamente a figura do sal: podemos dizer que sal em demasia estraga qualquer comida, e assim, se chegaria a equivocada conclusão de que uma sociedade com muitos discípulos seria uma sociedade estragada. Veja que absurdo. Pondo a figura como centro podemos usá-la de qualquer forma e dizer coisas que Jesus não estava dizendo. E o que Jesus estava então dizendo quando usou a figura do sal? Veja bem. Ele vinha falando de novos paradigmas e princípios capazes de darem sentido a vida, de tornarem a vida realmente picante e significativa. Sem esses valores a vida perde a razão de ser. Deixa de ser interessante, desafiadora – para nada mais presta. Assim é o sal – enquanto mantém suas propriedades agrega valor, porém tornando-se insípido, para nada mais presta, senão para lançado fora ser pisado pelos homens. É isto: só faz sentido a vida do discípulo, se ele não perde as propriedades, a sua natureza. Se, somente, onde estiver agregar valor ao ambiente, exercer a sua função. Agrega valor a família. O cônjuge que é discípulo ou discípula vive a vida conjugal com mais intensidade e amor. Pais e mães que são discípulos, se dão e desfrutam do companheirismo e amizade dos filhos com prazer e não como uma carga. O discípulo deve de fato agregar valores humanos e eternos em qualquer ambiente. O sal tornando-se insípido, sem valor é descartável; assim como o discípulo que esquece a vocação de viver intensamente a vida.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte. Jesus está falando dessa exposição natural da vida do discípulo. Quem vive e pratica as bem-aventuranças, não tem como esconder o exemplo. Sua vida será uma evidência à semelhança de uma candeia no velador, uma cidade sobre um monte, uma lâmpada acesa num poste de praça. Jesus não está falando de sal e luz. Ele está falando da natureza de vida do discípulo, do seu papel na sociedade. O discípulo tem propriedades que lhe marcam a razão de ser – à semelhança do sal. A vida do discípulo possui uma exposição natural – à semelhança da luz, que não se pode esconder, tem evidência natural, podendo ser percebida e admirada – “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”
Os discípulos(as) de Jesus agem assim, por serem assim. Não são, ou fazem em busca de reconhecimento, prestigio ou fama. Agem simplesmente pela condição de “ser” um instrumento para a glória do Pai.
Pastor Carlos Queiroz
É Pastor da Igreja de Cristo no Brasil e professor de Missiologia e realidade Brasileira no Seminário teológico de Fortaleza. Foi diretor da World Vision internacional em angola (1991-1993) e foi presidente da visão Mundial-Brasil e presidente do segundo congresso Brasileiro de Evangelização e é Escritor de vários livros. |
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